Câncer de Próstata

O câncer de próstata tem se tornado a neoplasia com a maior taxa de incidência e a segunda maior de mortalidade em países ocidentais, afetando bastante a saúde dos homens. Apesar do Antígeno Específico para Próstata (PSA) ter sido descoberto para ajudar a diagnosticar o câncer em um estágio inicial por décadas, sua especificidade é relativamente baixa, resultando em biópsias desnecessárias para pessoas saudáveis e tratamento mais do que o necessário algumas pessoas. Por isso, atualmente muitos estudos procuram possíveis outros marcadores para auxiliar no diagnóstico dessa neoplasia.1

[EXPAND Sintomas]O câncer de próstata se desenvolve de forma silenciosa. Uma parcela dos pacientes não apresenta sintomas no início, mas alguns podem sentir dificuldade para urinar e aumento da frequência urinária durante o dia ou à noite.

Por outro lado, há os cânceres indolentes, que durante a vida não causarão dano ao paciente. Atualmente, não é possível distinguir de forma confiável os cânceres indolentes dos agressivos. Muitos cânceres diagnosticados poderiam ter permanecido assintomáticos para o resto da vida e não necessitar de tratamento.3[/EXPAND] [EXPAND Diagnósticos]Exames urológicos de rotina, principalmente a partir dos 40 anos de idade, podem predizer o início da doença e o início precoce do tratamento, quando necessário, pode apresentar resultados mais eficazes.

A maioria dos homens resiste a fazer o exame de toque por considerá-lo desconfortável. Preferem se submeter apenas ao exame de PSA (uma molécula que pode ser medida em laboratório) isolado, achando que ele é suficiente como controle preventivo. Mas o PSA não é eficaz sozinho, alertam os urologistas. A porcentagem de falha do exame chega a 20% dos casos. Ainda Segundo o Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, “Não há valor de PSA abaixo do qual um homem pode ter certeza que não há risco de câncer de próstata”.3

O toque também pode não detectar alterações suspeitas, dependendo da localização do câncer. A porcentagem de falha do exame de toque é de 35%. Daí a recomendação de associar os dois exames para um diagnóstico correto. A probabilidade de erro cai para 8% com associações dos dois procedimentos. A realização somente do exame do PSA leva a diagnósticos falsos de câncer, o que é ruim tanto para os pacientes, pelo estresse gerado, quanto para o sistema de saúde, pelos gastos gerados.3

Entre 70% e 90% dos casos de câncer da próstata podem ser curados quando o tumor é identificado em suas fases iniciais, ainda confinado à glândula – que é denominado câncer de próstata localizado. Essa porcentagem de cura diminui para 40% até 30% dos pacientes quando o câncer se expande, atingindo os ossos e os tecidos vizinhos. Isso explica os esforços dos especialistas para identificar precocemente a doença.

As mulheres podem ter um papel importante na prevenção do câncer de próstata, se incentivarem seus parceiros sobre a importância de fazer os exames a partir da meia idade. Todo homem com mais de 50 anos deve se submeter anualmente ao toque retal da próstata e a dosagem do PSA no sangue para detectar os níveis de antígenos específicos.

A presença de câncer passa a ser considerada quando o toque revela áreas endurecidas na glândula ou quando os níveis de PSA são superiores a 4 ng/ml. Os indivíduos com casos familiares de câncer de próstata devem submeter-se aos dois exames a partir dos 40 anos, anualmente.[/EXPAND] [EXPAND Tratamento]A evolução das tecnologias terapêuticas, cirúrgicas e de radioterapia vem permitindo melhorar o prognóstico de recuperação do paciente, particularmente em relação à ereção.

Uma porcentagem pequena dos homens portadores de câncer de próstata, cerca de 15%, apresentam um tumor que os médicos denominam de indolente, ou seja, que não progride e não requer, assim, nenhum tratamento. Os pacientes nessa situação devem ser apenas acompanhados pelo médico, com exames periódicos, mas em geral morrem com o câncer e não por causa dele.

É bastante complexa a questão da escolha do melhor tratamento para o paciente, diante da variedade de opções existentes hoje, o que leva os especialistas a discutir sobre a melhor forma de tratar os casos de câncer inicial da próstata. Cirurgiões acreditam que a cirurgia radical seria a forma mais eficiente de tratamento.

A maioria dos estudos existentes sobre tratamentos do câncer de próstata aponta que a cirurgia pode curar entre 15% e 20% a mais de pacientes do que a radioterapia, e ainda apresenta uma vantagem adicional: se a doença voltar na região, é possível livrar o paciente da doença submetendo-o à aplicações de radioterapia.

A controvérsia sobre os tratamentos não envolvem apenas porcentagens de cura ou não do câncer, mas também estão associadas à questão delicada da perda da ereção peniana, que atinge de 15% até 90% dos homens que são submetidos à cirurgia e 40% dos que são tratados com radioterapia. A impotência sexual ocorre quando há lesão dos chamados nervos cavernosos, responsáveis por levar o sangue até o pênis, podem ser danificados pela cirurgia ou pelos feixes de radiação, no tratamento radioterápico.

A evolução das técnicas de cirurgia e de radioterapia, porém, vem permitindo melhorar o prognóstico de recuperação do paciente, particularmente em relação à ereção. Atualmente, a recuperação das ereções penianas podem ser observadas em 50% dos pacientes operados.

A radioterapia também evoluiu, especialmente com o uso do método de radiação conhecido pela sigla IMRT, que significa radioterapia com intensidade modulada – uma inovação do início da década atual, que permite que o tumor seja atingido sem afetar áreas vizinhas.

O tratamento hormonal, bloqueando o eixo de hormônios que agem na regulação central dos hormônios sexuais também podem ser utilizados, uma vez que o câncer de próstata é hormônio-dependente.

Obviamente a indicação e combinação de tratamento será indicado por médico especialista que deverá seguir o paciente desde o diagnóstico.[/EXPAND]

[EXPAND Referências Bibliográficas] 

  1. Qu, M. et al. Current early diagnostic biomarkers of prostate cancer. Asian J Androl [serial online] 0 [cited 2014 May 22];0:0. Available from: http://www.ajandrology.com/text.asp?0/0/0/0/129211
  2. Conceição, MBM. et al. Time trends in prostate cancer mortality according to major geographic regions of Brazil: an analysis of three decades. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 30(3):559-566, mar, 2014.
  3. Ragsdale, JW. et al. Prostate Cancer Screening. Volume 41, Issue 2, June 2014, Pages 355–370.[/EXPAND]