Diabetes Insipidus

O Diabetes Insipidus se caracteriza pela produção em grande quantidade de urina não concentrada, isto é, urina clara, diluída, parecida com água. É excretada uma quantidade de urina maior do que 3 litros em 24 horas nesses pacientes e esta excreção persiste mesmo sem beber líquidos. É uma doença rara causada principalmente por problemas na produção de um hormônio chamado antidiurético, sendo muitas vezes confundida com o Diabetes Mellitus, patologia muito mais frequente e que diferentemente da insipidus, está relacionada com aumento da glicemia, ou açúcar no sangue . As doenças são parecidas nos sintomas: ambas causam aumento da urina e da sede. São, porém, completamente diferentes tanto em relação às causas quanto ao tratamento.

O termo Mellitus significa “doce, mel” e foi introduzido no passado, quando o diagnóstico dependia do médico experimentar a urina do paciente e confirmar o sabor doce. Foi, então, chamado de Diabetes Insipidus o tipo de urina “sem gosto”, ou seja, sem aumento da glicemia.

De forma simplificada, podemos dizer que o diabetes insipidus tem causa em anormalidades no sistema neuroendocrino central, relacionado ao hipotálamo; enquanto o diabetes mais comum (diabetes mellitus) tem origem no distúrbio dos hormônios produzidos no pâncreas, notadamente a insulina. O paciente com diabetes insipidus não apresenta altas taxas de glicemia no sangue, como sabemos que ocorre em pacientes com diabetes mellitus.

[EXPAND Sintomas]Além do aumento da frequência e do volume urinário, ocorre sede excessiva. Geralmente, o paciente acorda durante a noite para beber água e para urinar. A suspeita clínica se dá quando o volume urinário é maior do que aquele esperado para um indivíduo com determinado peso, independentemente da quantidade de água que está tomando.

O volume de urina aumenta porque ela não é concentrada como deveria ser normalmente. Assim, na presença da patologia,em vez de cor amarela, a urina é clara, quase incolor. Se não houver a ingestão suficiente de líquidos, o paciente pode sofrer desidratação.O paciente pode reclamar de bexiga distendida e também apresentar sintomas de falta de outros hormônios da mesma glândula (hipófise), no caso da doença ter origem traumática ou por compressão devido a umtumor.[/EXPAND]

[EXPAND Tratamentos]O tratamento irá depender do correto diagnóstico do tipo de diabetes insipidus. No tipo dipsogênico, a melhor alternativa é a restrição voluntária e consciente do volume de líquidos ingeridos. Para o nefrogênico, se a causa não pode ser eliminada, a redução da quantidade de sal e o uso de alguns diuréticos com propriedade antidiurética paradoxal podem ser recomendados.Os diuréticos tiazídicosrepresentam a terapia de escolha para o DI nefrogênico.

Devido ao diabetes insipidushipofisário poder estar associado também à carência de outros hormônios de origem hipofisária, às vezes, tratamentos para essas anormalidades também são requisitados.

O diabetes insipidus gestacional também é tratado com desmopressina, mas, neste caso, tanto a deficiência do hormônio como o diabetes insipidus desaparecem entre 4 e 6 semanas depois do parto, momento no qual o tratamento com desmopressina é suspenso.

O tipo neurogênico, geralmente permanente, ocorre pela falta total ou parcial do hormônio antidiurético (vasopressina) e pode ser eficientemente tratado pela administração da desmopressina. Esta substância sintética tem apresentação antidiurética semelhante à da vasopressina e pode ser utilizada pela via oral, nasal, endovenosa ou subcutânea. O tratamento deverá ser iniciado apenas com a indicação e supervisão médica já que o uso inadequado da medicação poderá levar a retenção de água com risco de complicações sérias.[/EXPAND]

[EXPAND Diagnóstico]Uma história clínica completa é importante para caracterizar a existência de poliúria noturna (levantar à noite diversas vezes para urinar) e quando surgiu o problema. O paciente pode apresentar sinais de desidratação, bexiga distendida, problemas em outros hormônios da hipófise, além de história familiar de Diabetes Insipidus.1

Deve-se afastar a hipótese de Diabetes Mellitus – por meio dos exames de medida de glicose na urina e no sangue – só então, outros exames laboratoriais devem ser indicados pelo médico especialista. Entre eles, o teste de restrição hídrica com medidas de concentração urinária (osmolalidade) antes e após a administração do hormônio antidiurético sintético, a desmopressina; e exame de imagem, ressonância magnética da região hipotálamo-hipofisária, são os mais indicados. Todo e qualquer exame deve ser indicado e acompanhado por um médico.[/EXPAND]

[EXPAND Tipos de diabetes insipidus]Existem quatro tipos diferentes de diabetes insipidus com causas e tratamentos diferentes:

Neurogênico: é a forma mais comum. Ocorre devido à deficiência do hormônio antidiurético ou vasopressina. Este tipo também é chamado de central, hipotalâmico ou hipofisário. A vasopressina age nos rins aumentando a concentração da urina e reduzindo o volume urinário.

Nefrogênico: causado pela falta de ação de vasopressina nos rins, também chamado de resistente à vassopressina. Pode ser congênito, aparecendo logo após o nascimento, ou adquirido, causado, por exemplo, por medicações.

Dipsogênico: também chamado de polidipsia primária. É causado por distúrbio na sede, de origem neurológica ou psiquiátrica, que leva à ingestão excessiva de água e de outros líquidos. Anoctúria, ou seja, necessidade de urinar à noite, não está presente nas causas psicogênicas.

Gestacional: quando ocorre, há deficiência do hormônio antidiurético apenas durante a gestação.É uma causa rara, na qual um hormônio produzido pela placenta degrada a vasopressina (hormônio antidiurético).[/EXPAND]

[EXPAND Referências Bibliográficas]

  1. The Merck Manual for Health CareProfessionals. SymptomsofGenitourinaryDisorders. Polyuria. Edição eletrônica. Acessado em 01 jun 2014.
  2. Leroy, C. et al. Diabetes Insipidus. Ann Endocrinol (Paris). 2013 Dec;74(5-6):496-507. doi: 10.1016/j.ando.2013.10.002.
  3. FIgueiredo, DM. et al. Diabetes insipidus: mainaspectsandcomparativeanalysiswith diabetes mellitus. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 30, n. 2, p. 155-162, jul./dez. 2009.
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